Assunto: - Educação
- Plágio
   

Belo Horizonte - 21 de fevereiro de 2009
Sábado – 21:20h

Plágio: uma praga do mundo intelectual que decorre tanto da má-fé quanto da desinformação.

O plágio, ou o ato de apresentar o trabalho de outrem como sendo próprio, é um grave problema dos tempos que correm. Em se tratando do mundo acadêmico, em que os valores referentes ao tema são ainda mais rígidos, ainda assim, é assombroso o modo como a generalidade dos discentes tem se portado em relação às obras alheias e seu próprio trabalho. O plágio grassa, e o principal método de pesquisa tem se resumido aos comandos “Ctrl+C” e “Ctrl+V”, ou, em outras palavras, o método “cópio-colalógico”.

A praga do plágio, todavia, nem sempre resulta de um ato de má-fé, e pode, sim, decorrer da falta de informação e de formação para o trato com as construções de cunho intelectual. Por isto é que parece verossímil, além de ser engraçada, a história relatada pela Dra. Annett Schirmer, professora assistente do departamento de psicologia da Universidade Nacional de Cingapura, envolvendo o tema.

Conforme ela conta, após a realização de uma atividade na qual os alunos deveriam dissertar sobre “o papel das emoções no conhecimento”, e já no momento de “correção” e avaliação dos textos, a professora, em face de textos de nível bastante diverso, teve sua atenção despertada por dois trabalhos de nível muitíssimo superior ao dos demais. Quem leciona sabe: textos muito acima da média fazem soar o alarme docente “pega plágio”. E foi assim que os dois textos referidos acionaram o procedimento detector da professora.

Zelosa, debruçou-se sobre os trabalhos e respectivas referências bibliográficas, e conseguiu comprovar que um dos textos, efetivamente, incorporava, de modo determinante, a literalidade de obras já publicadas, e protegidas por direitos autorais. Tratava-se de um caso de desonestidade acadêmica acerca do qual era preciso tomar providências.

Quanto ao outro trabalho, apesar de seu conhecimento da bibliografia referente ao tema, a doutora Annett não conseguiu comprovar a existência de qualquer prática acadêmica reprovável.

Ainda assim, temerosa de premiar uma possível infração com nota alta, ao final de uma aula, ela confrontou a classe. Disse que havia detectado um caso de plágio, e que suspeitava de outro. E avisou que possíveis envolvidos teriam o prazo de três dias para contatarem-na, de modo a resolverem a questão. E é aí que a história começa a ficar boa. Após dar resposta a algumas dúvidas da classe, a professora encerrou a aula e deixou a turma em um aparente "estado de pânico".

Nos dias seguintes a professora foi contatada, pasme o leitor, por 33 alunos ou, segundo ela mesma, dois terços da turma.

Um(a) teria escrito: "Aqui é o(a) XXXX, da aula de conhecimento. Após a aula de hoje eu fiquei muito preocupado sobre a questão do plágio. Eu reli meu texto, mas não estou certo(a) se o que eu escrevi constitui plágio. Assim, será que eu posso conferir com você se o meu texto está “ok”? Se não, eu espero poder corrigi-lo”

Outro(a) teria enviado a seguinte mensagem: “Inicialmente estava tudo bem, mas, então, todo mundo começou a perguntar a todo mundo sobre a questão e a se perguntar: será que sou eu?”.

No fim da história, apenas um dos casos era mesmo de plágio, mas a insegurança sentida pela maioria da turma aponta para um desconhecimento geral acerca do que extamente deve ser considerado como conduta a ser evitada no que se refere à prática de plágio.

Se, por um lado, há situações em que o plágio se apresenta de forma clara e de fácil reconhecimento geral, há casos em que a sutileza do trato com o mundo das idéias pode gerar incertezas.

Longe de mim a defesa de plagiadores e outros desonestos do pensar; a educação também se dá pelo disciplinamento. Mas sanções disciplinares não são tudo, e só se adequam aos infratores que tiveram consciência da ilicitude de seus ato.

Aos demais cabe dar esclarecimento e, sempre, o bom exemplo.

Para a leitura do relato original (SCHIRMER, Annett. Notes on Plagiarism: Did I do it?), segue um link para o texto publicado no CBTLbrief de maio de 2008, vol 11, número 2, que é um informativo do Centro para o Desenvolvimento do Ensino e Aprendizado, da Universidade Nacional de Cingapura.

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