Belo Horizonte - 29 de abril de 2009
Quarta-feira - 23:55h
O Cadastro positivo e o engodo que o cerca - Parte I.
Caro leitor, você ouviu o que eu ouvi? Leu o que eu li? Estarei louco ou querem mesmo nos confundir com essa história de cadastro positivo? Algo me diz que estamos sendo enganados, ou, pelo menos, induzidos a erro quanto a este tema.
- “Como assim, Bigus?!?! Não vá me dizer que você acredita na teoria da conspiração.”
Não, não...
Não tenha dúvidas... a conspiração existe, resta saber quem está envolvido. Deixe-me mostrar-lhe.
Antes de mais nada, leia, abaixo, algumas opiniões sobre o cadastro positivo, veiculadas na grande mídia, para, em seguida, entender meus argumentos. Serão expostos em forma de “lenhada”, em postagem seguinte.
Por enquanto, perceba como o tal cadastro positivo é apresentado como sendo algo bom para o povo, os consumidores, e os tomadores de crédito em geral. Nada se diz sobre o quão bom para o setor financeiro seria o Cadastro; o quão maravilhoso para os bancos. Não mesmo; disso não se fala, ainda que exatamente disso é que se trate.
O discurso veiculado é este segundo o qual o que diminui o risco da atividade bancaria é bom para o "povo", ou, ainda, que o que é bom para o banco é bom para o cidadão (você acredita?). Pois Deus é que me livre dessa conversa furada, pois este aí é um argumento falso do "capeta".
Confira, abaixo, o discurso a que me refiro, exemplificado nas palavras de Henrique Meirelles, Roque Pellizzaro Junior e Miguel Jorge.
Iniciemos com o Presidente do Banco Central do Brasil, o Sr. Henrique de Campos Meirelles:
“(...) importante que o cadastro positivo seja aprovado, porque vai permitir que cada um tenha o seu histórico, se o consumidor quiser e permitir, para qualquer instituição financeira ter condições de lhe oferecer crédito e lhe oferecer condições melhores, para que o consumidor ou a empresa possa, com isso na mão, com o seu cadastro na mão, pesquisar todos os bancos para ver onde está a melhor taxa, não ficar preso a nenhuma instituição que conhece a sua história.”
Para ouvir com os prórpios ouvidos, eis o "link" para o áudio da declaração do Ministro, em "site" do Grupo Estado.
Abaixo a opinião de Roque Pellizzaro Junior, Presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL):
"Porque (o cadastro positivo) democratiza o dinheiro. Se você é uma pessoa que tem hábito de pagar a prazo e tem histórico que diz que você paga em dia, então tudo isso é levado em conta. Os prazos ficam mais longos e as taxas mais curtas porque é expurgada da sua taxa o risco de mau pagador, que hoje é muito significativo."
Fragmento de entrevista publicada na página B3 do Caderno de Economia do Jornal O estado de São Paulo, de 16 de março de 2009.
O Ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, chega ao ponto de entender que o Congresso seja atropelado, e o Cadastro positivo legislado por medida provisória. Antes do ministério, foi vice-presidente de RH, Assuntos Corporativos e Jurídicos do Grupo Santander Banespa:
"O Cadastro Positivo, que funciona em todo lugar do mundo, faz com que o seguro que você paga seja mais barato, que o juro que você paga no banco seja mais barato, que o empréstimo seja conseguido com mais facilidade. Isso nós não temos, nós precisaríamos disso com muita urgência no país. (...) eu não sou muito favorável à MP (medidas provisórias) mas... eu diria até que isso seria uma exceção na minha posição político ideológica em relação às MPs."
Não acredita? Então ouça.