Belo Horizonte - 15 de março de 2009
Domingo – 21:13h
O curioso caso de Sean Goldman: era uma vez o segredo de justiça.
Inicialmente, fiquei em dúvida se deveria tratar deste assunto. Afinal, sou respeitador do mandamento segundo o qual, “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, que costumo interpretar como: “ninguém tem nada a ver com os problemas da família dos outros”. Questões de família (e de estado), devem, mesmo, ser tratadas com discrição.
O caso desse garoto, Sean Goldman, contudo, já extrapolou o nível de discrição em que minhas postagens pudessem, de alguma forma, fazer qualquer diferença. O caso está na boca do "polvo".
O pai tem uma página na internet:
A vó apareceu no fantástico:
O tio apareceu no Larry King, da CNN:
E mesmo o padrasto, que vinha mantendo a maior discrição (inclusive impondo o silêncio, por via judicial, a órgãos de imprenssa), apareceu, com foto e vídeo, hoje, em entrevista dada ao jornal o Globo online.
Por fim, o assunto chegou a ser tratado pelos Presidentes Obama e Lula:
Deus me livre de um segredo assim!!!
O fato é que depois da campanha deflagrada pelo pai do garoto, e de a mídia (do Brasil e dos EUA) ter dado destaque ao assunto, o segredo de justiça ficou restrito ao argumentos e provas contidas nos autos. Os envolvidos, quem são e qual a sua origem, a maior parte das Américas já conhece.
Não é meu interesse a vida das pessoas envolvidas. Imagino que o contexto seja traumático para todos, e sei que, em questões familiares, é difícil apontar quem esteja certo ou errado. Não julgo o aspecto moral da ação de nenhum dos envolvidos. Se eu fosse o pai, ou o padrasto, eu mesmo lutaria pelo garoto "até a morte". Tanto mais se eu fosse a mãe.
Respeito os envolvidos, e suas respectivas dores.
Interessa-me, contudo, o modo como se dará a interpretação da Convenção de Haia, a questão da oposição entre segredo de justiça e direito à informação, e, obviamente, o embate entre a idéia de pai "de sangue" e o pai "sócioafetivo".
Assim sendo, na medida em que, no caso, existem aspectos de interesse jurídico, e porque o segredo já foi para o espaço, tratarei, no decorrer da semana, do curioso caso de Sean Goldman.