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Belo Horizonte - 16 de dezembro de 2009
Quarta-feira - 12h42min


Campanha "Liberdade na TV", da ABPTA (ABTA), é um acinte à inteligência dos consumidores de TV por assinatura.

A história não é nova, vem desde 2007. Mas foi só por estes dias que eu pude ver a famigerada campanha da ABPTA (Associação Brasileira dos Programadores de TV por Assinatura), denominda Liberdade na TV, contra o PL 29/2007. Ou melhor, contra o sistema de quotas para a produção audiovisual brasileira previsto no projeto.

Isto porque o projeto determina que uma parcela da programação dos canais a cabo de “espaço qualificado” seja de produção brasileira independente. Justamente o que a ABPTA e a ABTA não querem.

E agora, no momento em que o projeto volta a tramitar nas comissões da Câmara dos Deputados, temos (assinantes de TV) a inteligência subestimada, como de costume, pela acintosa campanha da ABPTA em prol dos interesses dos programadores internacionais.

Em 2007 assinava a mesma campanha a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), mas o material foi retirado do ar por decisão do Conar, após Representação do CBC (Congresso Brasileiro de Cinema) e de diversos consumidores, sob o argumento de que a campanha distorcia os fatos com o objetivo de angariar assinaturas e influenciar parlamentares. O anúncio saiu do ar, mas a representação acabou arquivada.

Antes da ABTA, agora da ABPTA (faz diferença?), a campanha continua a mesma, e nem dá para perceber que é "outra" a entidade por detrás da farsa.

Abaixo o referido vídeo. Em seguida eu volto "moendo".

Vocês viram!? Ouviram isso?!?! Será possível uma coisa dessas?!?!

O sujeito apresenta um belo de um slogan: “Eu pago, eu escolho o que quero assistir na minha TV por assinatura!”. E nos manda reclamar com “o deputado”, contra o PL 29/07.

Ora, isso só pode ser piada. A liberdade de escolha já não existe, e isto não tem nada a ver com o pobre do PL 29. É como escreveu a Bia Abramo, da Folha:

No máximo , escolhe-se a operadora, o pacote e a mensalidade . Os cinco milhões de assinantes da TV paga não decidem uma vírgula daquilo que os canais pagos decidem sobre a programação .

E também o Deputado Jorge Bittar (PT/RJ):

" é necessário relembrar que hoje o usuário não tem qualquer liberdade de escolha , pois é obrigado a comprar um pacote pronto que é transferido pelas operadoras de TV por assinatura . São elas que tolhem o direito de escolha quando colocam um monte de lixo nos pacotes e obrigam os usuários a comprá-los integralmente . A pergunta que cabe é a seguinte : por que elas não oferecem cada canal separadamente?"

Só me resta uma dúvida: onde é que eu assino?

É isso mesmo. Quem no Brasil tem liberdade de escolher os canais que pretende assinar? Qualquer um que tenha assinado TV a cabo na vida sabe que esta contratação é a maior venda casada do planeta.

Eis o que ocorre: a ninguém é dado escolher e assinar apenas os canais que deseja. A escolha de qualquer canal resulta invariavelmente na contratação de outras (com todo o respeito) porcarias.

E não se tem notícia de que a ABTA ou a ABPTA tenham se oposto a esta prática tão costumeira quanto odiosa.

Por isso é que a campanha "Liberdade na TV" agride e ofende. Induz o assinante a uma luta que não é dele, senão dos programadores internacionais.

Em suma, uma campanha denominada Liberdade na TV, patrocinada justamente pelas entidades que nos impõem os canais a serem assinados, é no mínimo um desrespeito à inteligência dos assinantes.

A liberdade na TV passa pelo direito de assinar apenas os canais desejados. O resto é uma tentativa escandalosa de enganar os consumidores.

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