Belo Horizonte - 19 de dezembro de 2009
Sábado - 01h26min
Prazo para lançamento de notas só termina quando acaba.
Quem leciona bem sabe: o momento mais tenso do calendário acadêmico é o final de semestre. Com todo mundo cansado, desde o porteiro até o reitor, esta é também a hora da verdade no que tange a divulgação de resultados e notas.
É então que acontece um fenômeno curioso, até certo ponto compreensível, mas que às vezes extrapola qualquer medida de razoabilidade.
Refiro-me ao desespero, à ânsia, à loucura desesperada em que alguns discentes ardem “esperando” pelas notas.
É como uma espécie de frenesi que faz com que os alunos telefonem, mandem e-mails, mensagens no celular, no twitter, no orkut, facebook, e onde quer que possa o professor existir.
A título de exemplo, lembro-me de uma oportunidade em que uma discente, tendo descoberto o número de meu celular sabe-se lá como, cravou 75 chamadas não atendidas em menos de uma hora, ao fim das quais mandou a seguinte mensagem: "Professor, já tem as notas?"
– (leitor) Puxa vida Bigus, setenta e cinco chamadas e você não atendeu? Vai ser mau assim lá na china hein?! E se a moça estivesse morrendo?
Se estivesse mesmo morrendo melhor seria um médico, e não um Bigus. O que poderia fazer eu em caso de vida ou morte?
– (leitor) Orar...
É...
De qualquer modo, só não a atendi pois não vi o bombardeio de chamadas enquanto lecionava. E este é apenas um exemplo, dentre outros tantos, da ansiedade que toma conta dos discentes, e de como isso é descontado nos docentes.
– (leitor) Mas qual o motivo desse assunto agora, Bigus?!
Nada demais não. É que um colega de academia, o Professor André de Abreu, deixou em seu MSN (Messenger) uma mensagem típica de quem está sendo assediado (vide foto). Tanta perturbação deve estar sofrendo o "pobre" que já avisa antes e pergunta depois: "o prazo para lançar notas termina às 23h59min".
Achei engraçado isso. Eu mesmo, se pudesse, escreveria na testa do monitor da disciplina: "Não! Ainda não corrigi. Sim! Seguirei o prazo institucional."
É isso ai Andrezão. Concordo com você e complemento: termina no último segundo, do último minuto, da última hora do último dia do prazo.
Até lá, vão todos dormir.