Cantata de Natal da Igreja Batista Central de Belo Horizonte.
É chegado o final de mais um ano, e eis que se aproxima o Natal, a grande e super mega-data festiva dos cristãos. E sendo como é, uma festa da cristandade, é natural que toque muito e ainda mais quem tenha fé. Quem tem, afinal, tudo o que comemorar.
Quanto a mim, saudoso do espírito dos natais passados, descrente no espírito do natal presente, e temeroso do espírito dos natais futuros, convidado que fui, assisti a Cantata de Natal da Igreja Batista Central de Belo Horizonte.

E aqui devo abrir parênteses: antes do início da cantata propriamente dita houve a projeção de uma história do nascimento de Jesus contada em forma Cordel, em versão bem divertida e nordestina.
Tão do nordeste, mas tão do nordeste, que além do formato de Cordel, e do sotaque “arretado” do contador, os três reis magos mais pareciam a banda do Rei do Baião (vide imagem). E ainda que eu não saiba dizer quem é qual dos reis magos desta versão da história, não tenho como errar o nome daquele que está no meio dos outros dois, com a sanfona: Não é Melchior, não é Gaspar, e nem Baltazar: é Luiz Gonzaga. ( para os interessados, há no you tube o vídeo do cordel do nascimento de jesus, com os devidos créditos)
De volta à Cantata; a igreja é grande e estava lotada.

Fiquei surpreso com a qualidade da banda e do coral.

Essa história de que o povo gospel "toca muito" não é nova. E ultimamente existe, mesmo, muita virtuose por ai. Mas ninguém espera que esse pessoal de nível internacional seja da igreja do bairro. No meu caso eu descobri que é.
E por mais que a música fosse da melhor qualidade, o espetáculo não se resumiu aos ouvidos.
Teve teatro com anjo voando tal e qual o Bon Jovi em "Living on a Prayer".
Teve bailarina...
Além de outras coisas do tipo que se espera encontrar em uma igreja, como testemunhos e pregação.
E o Bigus saiu de lá com a alma lavada.
O pessoal da célula (a quem agradeço pelo convite) diria que a alma lavada é um indicativo do poder de Deus.
Valho-me da poesia de Mario Quintana, que adapto para traduzir o efeito desta Cantata.
"A Canção
Enquanto os teus olhos ainda estão cerrados sobre os mistérios noturnos da alma
E o dia ainda não abriu as suas pálpebras,
Nasce a canção dentro de ti como um rumor de águas,
Nasce a canção como um vento despertando as folhagens...
Não vem de súbito, vem de longe e de muito tempo.
Mas - agora - estás desperto na cidade e não sabes,
Entre tantos rumores e motores,
Como é que tens de súbito esta serenidade
De quem recebesse uma hóstia em pleno inferno.
Deve ser de versos que leste e nem te lembras,
De telas, de estátuas que viste,
De um sorriso esquecido...
Da Cantata da IBC...
E destas sementes de beleza
É que
- às vezes -
No chão do rumoroso deserto em que pisas,
Brota o milagre da canção."
É isso aí. Mais uma vez agradeço pelo convite, e pelo lugarzinho guardado em evento tão concorrido.
Melhor assim...
Está salvo o espirito do natal presente.
Feliz Natal.