Assunto: -Belo Horizonte
- Eleições Municipais
 
   

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Belo Horizonte - 27 de outubro de 2008
Segunda – 0:050h

Vencedores das eleições em Belo Horizonte I - Aécio Neves

 

O grande vencedor das eleições municipais de 2008, em Belo Horizonte, é o Governador Aécio Neves. Ao contrário do que tem festejado e noticiado a imprensa de São Paulo, o Governador não esteve, nem de longe, às portas de uma derrota política na capital.

Os motivos são aqueles muito bem colocados pelo Ministro Hélio Costa, tal como noticiado pelo Jornal Estado de Minas, que lhe atribuiu as palavras abaixo:

“O governador Aécio Neves se mostra um grande estrategista político, porque não perde nunca. Em qualquer circunstância, se Leonardo ganhar, ele ganha, se o Márcio ganhar, ele ganha. Vai ser uma demonstração de sua competência política” (grifo nosso)

Sobre esse tema, contudo, não é recomendável tratar sem, antes, uma breve observação acerca do que tem pregado a imprensa de São Paulo sobre o tema.

Uma observação acerca do posicionamento da imprensa paulista.

A impressão que eu tenho é de que a imprensa de São Paulo só consegue julgar a posição do Governador de Minas através do prisma da candidatura à presidência pelo PSDB em 2010. De acordo com essa lógica, qualquer evento que fortaleça o Governador José Serra é tomado como contrário a Aécio Neves.

Por este motivo, aconteça o que acontecer em Minas ou no restante do Universo, os paulistas verão apenas que, tendo saído vencedor, em São Paulo, o candidato Kassab, e resultando isso no fortalecimento de Serra, inexoravelmente, terá Aécio sido derrotado ou, quando menos, sido não-vencedor das eleições municipais de 2008.

Obviamente, falta à imprensa bandeirante um melhor conhecimento das condições dadas em nossa capital, assim como uma pitada de boa vontade com aquilo que ultrapassa as fronteiras de São Paulo.

Passo, agora, a explicar os motivos pelos quais Aécio foi o maior dos vencedores em Belo Horizonte.

a) As candidaturas que se mostraram de oposição (PSTU - PSOL/PSTU, PC do B - PC do B/PRB, PDT - PCB/PDT e PCO) a Aécio tiveram aproximadamente 11% dos votos no primeiro turno (13% dos válidos), e os brancos e nulos somaram algo em torno de 16% (17% dos válidos). Ou seja, aproximadamente 70% dos votos do primeiro turno das eleições em Belo Horizonte foram depositados em favor de candidatos que se disseram ligados ao Governador.

b) No segundo turno, ambos os candidatos se disseram "amigos" do governador, e defenderam a manutenção de parcerias entre o Estado e o Município de Belo Horizonte. O Deputado Leonardo Quintão, candidato não apoiado pelo Governador, comprometeu-se, na televisão, a apoiá-lo, caso este se torne candidato à presidência da república.

Em outras palavras, 100% dos candidatos à prefeitura de Belo Horizonte no segundo turno pregaram proximidade com Aécio Neves, tanto no plano administrativo quanto no político e eleitoral vindouro.

c) Do ponto de vista eleitoral, a aliança foi uma vitória de seus articuladores. Márcio Lacerda, candidato apoiado por Aécio e Fernando Pimentel, foi eleito com 59% dos votos válidos. Obteve, no segundo turno, 767.332 votos, 30% a mais do que os 549.131 votos recebidos no primeiro.

d) Do ponto de vista da construção política, é inegável que Belo Horizonte apresentou algo novo ao país, tão novo que quase impraticável, ainda mais sob o prisma da política paulista, submersa que se encontra na disputa sangrenta entre petistas e tucanos. Se a moda pega, a lógica que move a política em São Paulo terá perdido o sentido para o restante do país.

Em São Paulo venceu serra, em um projeto que aprofunda a lógica vigente, e amarra o PSDB ao DEM. Em Minas venceu Aécio, em um projeto de centro que rompe a lógica da disputa sangrenta imposta por São Paulo, e que, por isto mesmo, tende a ser mal visto, ou mal entendido, nas bandas de lá.

 

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